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SAÚDE DE ALTO IMPACTO
Proposta defende avanços na assistência, reunindo diagnóstico, tratamento, acompanhamento e reabilitação especializada pelo SUS em um único lugar, encurtando a distância ao acesso à saúde aos mato-grossenses
Há cinco anos, Maria Lúcia Almeida, perdeu o pai, o ‘seo’ Sebastião Lindolfo Almeida, para as sequelas que vieram com o chamado ‘Mal de Parkinson’. Aos 85 anos, e bastante debilitado, ele viveu os últimos meses de vida acamado, e dependendo 100% da ajuda e dos cuidados dos filhos e da família. Sem plano de saúde, foi difícil tratar e reabilitar os movimentos para a mínimo de autonomia dele e sem essa assistência, lembra Maria Lúcia, “a doença foi tomando conta”.
No início do diagnóstico, até foi apresentada a possibilidade de se fazer uma tentativa de atendimento especializado em Goiânia, por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD). “Mas era algo muito burocrático, idas e vindas, inclusive com meu pai que já estava com dificuldades de andar. Quando saíamos de casa, já usávamos a cadeira de rodas para conforto dele. Mas tudo tinha de ser periciado, comprovado, a gente perdendo serviço, pois minha mãe não tinha condições de acompanhá-lo, teria de ser um dos filhos. Licença para viajar a gente teria, mas as faltas para conseguir o TFD é que estavam complicando. Dai, tinham gastos que não seriam cobertos ou totalmente cobertos. Desistimos, ficamos por aqui com atendimento limitado, afinal, meu pai já estava com quase 80 anos, não dava para ficar se aventurando com ele sem mínimas condições”.
São realidades como essas – longe de serem exceções – que levaram o candidato a deputado estadual Alex Sandro a defender a criação de um Centro de Referência em Doenças Neurológicas em Mato Grosso. A indicação, já proposta enquanto suplente na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), visa reunir, em uma mesma linha de cuidado, diagnóstico, acompanhamento, tratamento e reabilitação de pacientes com doenças neurológicas complexas, para que nenhum mato-grossense fique sem atendimento, e tão pouco, seja obrigado a buscá-lo, em outro estado.
Mato Grosso já avançou na oferta de serviços de alta complexidade em neurologia e neurocirurgia. O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), por exemplo, é habilitado pelo Ministério da Saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia, contemplando serviços nas áreas de trauma e anomalias do desenvolvimento, coluna e nervos periféricos, tumores do sistema nervoso e neurocirurgia vascular.
Para Alex Sandro, esse avanço demonstra que é possível dar um passo além: estruturar uma referência estadual capaz de integrar diferentes especialidades, ampliar procedimentos, incorporar novas tecnologias e buscar novas habilitações junto ao Sistema Único de Saúde.
“Não estamos começando do zero. Mato Grosso já avançou, tem profissionais qualificados e estruturas importantes. O que estou propondo é evolução. É pegar o que já funciona, fortalecer e avançar para que tenhamos um grande centro de referência, preparado para atender casos cada vez mais complexos dentro do nosso Estado”, afirma.
A proposta prevê atendimento multidisciplinar e especializado para pacientes com condições como Parkinson e outros transtornos do movimento, epilepsias de difícil controle, esclerose múltipla, doenças neuromusculares, demências, doenças neurovasculares, tumores do sistema nervoso e doenças neurológicas raras.
REDUZIR DISTÂNCIAS TAMBÉM É CUIDAR – Um dos objetivos é ampliar a capacidade de resolução dentro de Mato Grosso e, consequentemente, reduzir a necessidade de encaminhamento para Tratamento Fora de Domicílio (TFD) nos casos em que o atendimento especializado ainda precise ser realizado em outros centros.
O TFD é um instrumento fundamental do SUS para garantir assistência quando o tratamento necessário não está disponível no local de residência. Mas o deslocamento para outra cidade ou outro Estado pode significar também uma longa jornada para pacientes e familiares, envolvendo autorização, agendamento, viagens e permanência longe de casa.
Além disso, tratamentos prolongados podem exigir reorganização de toda a rotina familiar, especialmente quando há necessidade de acompanhante.
“Quem enfrenta uma doença neurológica grave já carrega uma preocupação enorme. Quando o paciente precisa viajar para buscar atendimento, existe uma família viajando junto, alguém que deixa o trabalho, filhos que ficam em casa, despesas e uma rotina inteira que muda. Quanto mais conseguirmos oferecer aqui, mais perto esse paciente estará de quem ama”, destaca Alex Sandro.
REFERÊNCIAS – Outros estados já possuem estruturas que demonstram o potencial da concentração de diferentes especialidades neurológicas.
No Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), em Goiânia, o Núcleo de Neurociências reúne serviços especializados para epilepsia de difícil controle, esclerose múltipla, Parkinson e outros transtornos do movimento, além de outras áreas da neurologia e neurocirurgia.
O próprio Sistema Único de Saúde prevê diferentes níveis de habilitação para a assistência de alta complexidade em neurologia e neurocirurgia, incluindo Centros de Referência, o que abre caminho para que Mato Grosso busque ampliar sua estrutura e capacidade de atendimento e que seja remunerado pelo Ministério da Saúde para ofertar esses serviços, atendimentos e toda a rede de cuidados que as especialidades da neurologia ofertam.
“A demanda existe. Com planejamento, investimento, articulação e vontade política, podemos construir uma referência que seja nossa e fazer com que cada vez mais mato-grossenses encontrem aqui o atendimento que precisam”, conclui.












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