Denúncia aponta excesso de peso, destruição do pavimento e falta de fiscalização no trecho entre Juína, Brasnorte e Castanheira
A MT-170, importante corredor de escoamento da produção do noroeste de Mato Grosso, tem registrado diariamente a circulação de carretas transportando toras de madeira com peso líquido que ultrapassa 100 toneladas. O excesso de carga, além de ilegal, tem provocado destruição acelerada do asfalto e aumentado de forma alarmante o risco de acidentes na rodovia.
De acordo com estudos técnicos e projetos de engenharia da SINFRA-MT, o trecho entre Juína, Brasnorte e Castanheira concentra um dos maiores fluxos de veículos pesados do estado. A estimativa é de 3.000 a 6.000 veículos por dia, dependendo do período. Na safra e no pico do transporte madeireiro, veículos pesados chegam a representar mais de 40% a 60% do tráfego diário.
O problema é que boa parte dessas carretas circula com peso muito acima do permitido por lei. A própria SINFRA-MT, na Portaria nº 41/2021, cita o “aumento significativo do fluxo de veículos de carga nas Rodovias Estaduais, gerando em consequência uma degradação precoce do pavimento e diminuição da sua vida útil”.
A literatura técnica da ANTT alerta que o excesso de peso acelera a deterioração do pavimento, reduz a vida útil da rodovia e eleva os custos de manutenção para o poder público. No trecho da MT-170, veículos com mais de 100 toneladas têm sido flagrados transportando toras, comprometendo a integridade do asfalto.
Além dos prejuízos à infraestrutura, as cargas irregulares comprometem diretamente a segurança viária. Caminhões e combinações com mais de 100 toneladas têm estabilidade reduzida, maior distância de frenagem e maior probabilidade de tombamentos.
“Essas carretas enormes colocam em perigo a vida dos motoristas que trafegam na MT-170. Qualquer freada brusca ou curva pode causar um acidente grave, com vítimas fatais”, afirma um caminhoneiro que prefere não se identificar por medo de retaliação.
Ações da Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso já registraram apreensões de caminhões de madeira por excesso de peso e risco à segurança viária. Mesmo assim, a circulação continua intensa, principalmente à noite.
Até o momento, não há uma contagem pública e consolidada do Volume Médio Diário da MT-170 nos bancos de dados oficiais do Governo de Mato Grosso. O VMD só é obtido por meio de campanhas específicas da SINFRA-MT ou em estudos de engenharia, segundo informações oficiais.
A ausência de fiscalização permanente e de balanças em operação facilita o transporte irregular. É urgente intensificar a fiscalização, instalar pontos de pesagem e adotar medidas rigorosas para coibir o excesso de peso.
O transporte irregular preserva o lucro de poucos, mas coloca em risco a vida de todos que usam a rodovia e ainda destrói um patrimônio público que custa milhões para recuperar.
Moradores e motoristas cobram respostas do Estado. Enquanto isso, as carretas seguem circulando pela MT-170, carregadas de madeira e de risco.










